19 dezembro 2012
Em breves momentos, depois do sono, ela move a cabeça na sua direção e olha pra você fixamente. Sem palavras, sempre sem palavras. E você olha de volta. E tenta ler o olhar dela: parece ter tomado consciência do mundo nesse instante, parece fazer um monte de perguntas mudas que infelizmente ficam sem resposta. Uma dessas perguntas parece ser: "Quem é você?". E depois os olhos desviam para o lado, só um pouco, não piscam, e diante deles, que às vezes veem, às vezes não, deve passar agora o filme da vida dela, não só as fraldas que foram trocadas há pouco, o choro impossível da tarde, mas também todo o passado ancestral, do útero, mas também anterior à capsula da vida, uma memória que é recente mas que logo será esquecida, para a frustração da humanidade, e, ironicamente, como todos os seres humanos, em um dia de adolescência ela virá com a pergunta: "De onde viemos?".
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