19 dezembro 2012


Ela já chega perto da janela, mas só quando está no seu colo. Logo irá sozinha, pequenos passos apressados, mãos na moldura, ponta dos pés, o pescoço que se estica, atraída pelos gritos das crianças da escola que correm para a piscina quando autorizadas pelo professor. Mas ela só conseguirá ver o que imagina depois. À noite, as vozes das pessoas das ruas que se abrigam na Igrejinha ao lado, as conversas reais da violência da polícia, a vida desprotegida, sem mãe, sem pai, sem casa, sem útero.

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